Já? Parece que foi ontem que nasceste, Martim. Tão pequenino, tão dorminhoco. E já és um rapazinho, um menino que me deixa cada vez mais orgulhosa. Falas pelos cotovelos, tens de dar sempre a tua opinião, mesmo que não se perceba metade do que dizes. Tens os teus gostos, tens as tuas perferências. Já sabes o que queres, embora às vezes esbarres com a opinião contrária dos pais. E amuas, fazes um beicinho que é uma delícia, zangas-te, odeias ser contrariado, reages mal, atiras com coisas pelo ar, e eu faço o meu papel: "Se não pode ser, não pode ser mesmo!" E se insistes na asneira lá vem a palmada. E lá vem o "Mãe má!" Digo que estou triste e lá vem um monte de festinhas e beijinhos com muitos "'scupa" pelo meio. Por acaso não és de birras. Contam-se pelos dedos da mão as vezes que fizeste birras grandes em público daquelas de te atirares para o chão. És um rapazola, adoras pular, saltar, trepar, correr, não paras um segundo. Continuas cheio de pressa para crescer e cresces a olhos vistos, a roupa vai ficando pequena. Também continuas muito observador, hoje depois da creche estiveste a dar migalinhas de pão às formigas e a vê-las a levar tudo bocadinho a bocadinho para o formigueiro. Eras capaz de ficar horas a vê-las. Já sabes as cores e já contas até 5. Começas a distinguir "meu" de "minha" embora ainda confundas um pouco os géneros. Começas também a usar "eu" em vez de o "Martim isto ou aquilo". Adoras ajudar-me em casa a pôr a mesa, a fazer a cama. É um castigo conseguir que arrumes o que desarrumaste. Não queres ouvir falar nem em manos ou em bebés na tua casa. Mas uma coisa é certa vais ser sempre o meu bebé!
Obrigada filho por me ensinares a ser mãe e me tornares uma pessoa melhor nestes 30 meses e durante os muitos meses que estão para vir.