E lá fui com o Martim pela mão votar. Entro na assembleia de voto, entrego o BI e o cartão de eleitor e diz uma das senhoras que estava na mesa de voto para o Martim:
- Ó filho agora ficas aqui ao pé de mim está bem?
- Desculpe? - pergunto.
- Sim, sim. Não imagina a quantidade de pessoas que já passou por aquelas cabines de voto hoje...
- Mas é por causa da gripe A?
- Claro!
- Eu sou a mãe! É a mim que compete decidir se um sítio é perigoso ou não para o meu filho.
- A senhora é que sabe!
E diz o presidente da mesa:
- Leve consigo o menino. Não há problemas pois não? - diz o presidente da mesa virando-se para dois tipos noutra mesa.
- Há sim! Não pode porque o miúdo pode influenciar o processo de votação! - disse um dois tipos. O outro nem ligou esteve sempre a mexer no telemóvel o tempo todo.
- O menino nem tem altura para ver o voto da mãe. - diz o presidente.
- Como? - disse eu completamente danada. - Ele veio sempre comigo e eu fui sempre com os meus pais votar.
Acabei por deixá-lo ali à entrada. E fui votar furiosa, primeiro só me apetecia riscar ou rasgar o boletim de voto à frente deles. Mas não, não fiz nada disso porque o meu voto vale mais que qualquer um daqueles idiotas. À saída quando depositei o voto na urna, o presidente pediu-me desculpa e eu disse bem alto:
- Depois admirem-se que os jovens não querem saber de eleições, se não deixam os pais educar as crianças no voto desde pequeninos!
Primeiro era a gripe A, depois era o Martim poder influenciar o voto, enfim um imenso excesso de zelo em conjunto com uma imensa parvoíce. Mas não se livram de mim tão facilmente, daqui a 15 dias estarei lá outra vez com o Martim pela mão.