Por estes dias tinha ouvido a frase mais incrível da boca de um médico. Havia semanas que andava às voltas com uma infecção urinária. Nesta altura ainda não sabia o que era. Não tinha nenhum dos sintomas típicos, tinha umas dores intensas no fundo da barriga que quase me impediam quase de andar. Por azar, a minha médica estava de férias nessas semanas e no estrangeiro.
Após uma noite sem conseguir dormir com as dores, depois de uma série de vezes em que a barriga ficou muito dura e de muita actividade da parte do Martim, fui à urgência do Hospital de Santa Maria (HSM). A médica de serviço não quis saber das dores para nada, só se preocupou com as contracções e ligou-me durante meia hora ao CTG que não acusou nada. A médica virou-se para mim e disse com um ar muito escandalizado: "Não tem contracções!" "E as dores?", perguntei eu. "Isso deve ser muscular, não se preocupe! Tome lá magnésio para as contracções." Pois se eu não tinha contracções para que eu queria magnésio? E as minhas dores nada. Nem fez análises e nem ecografia, nada.
Lá andei uma semana a arrastar-me com dores. Até que um dia chego a casa e vou à casa de banho e, choque, tinha sangue vivo nas cuecas. Lá corri outra vez para
a urgência do HSM. E foi aí que o médico de serviço após eu contar toda a história e falar do sangue se sai com a seguinte pérola:
"As senhoras grávidas deviam ter a obrigação de saber quando o sangue vem do bebé ou não!"
Mas eu não me fiquei e respondi: "Desde quando é que é necessário tirar um curso de medicina para ficar grávida?"Aí ele calou-se e fez a ecografia para ver se estava tudo bem com o Martim. Passou-me análises ao sangue e à urina. Quando voltei com o resultado, ele disse-me que era uma infecção urinária e que não percebia como é que a colega dele não tinha percebido e me tinha despachado apenas com magnésio. Disse-me que me receitava um antibiótico e que eu melhoraria em dois ou três dias.
Mas as dores não passavam e eu desesperava. Até que finalmente a minha médica regressou de férias e quando lhe contei toda a história, ela nem queria acreditar. Mas havia mais: o suposto antibiótico não era antibiótico, era um anti-inflamatório fraquíssimo que nao curava nada, não admirava eu continuar com dores. Lá me receitou o antibiótico certo e passou-me novas análises para verificar a evolução da infecção.
Depois desta história, durante esta gavidez (e se houver mais gravidezes), uma coisa eu sei, no caso de um destes dois médicos estar de serviço na urgência, eu recusar-me-ia a ser atendida por um destes dois incopetentes!