sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009

O vosso GPS já amuou? E tem ajudante?

O meu já! Outro dia a caminho da Ericeira fomos a experimentar o GPS do meu telemóvel novo. Nós queriamos ir pela estrada nacional mas não assinalamos que não queriamos autoestradas. Volta não volta, o raio da menina (vulgo voz do GPS) queria enfiar-nos na A21. E nós népia. A certa altura eu já cantava uma versão do Rehab da Amy Winehouse

She want us to go to the A21
And I say no no no

E durante uns 5 ou 6 cruzamentos foi esta a conversa. Vire à direita ou à esquerda conforme o cruzamento e nós nada. Faça inversão de marcha. Está bem, abelha! Por alturas de Mafra a rapariga calou-se. Passavam rotundas e cruzamentos e ela nada. Estranho calou-se, será a bateria?, pensei eu. Mas não, estava amuada, só podia! Porque uns quilómetros mais à frente, apareceu nova indicação para a A21 e a fulana deu logo sinal a querer que fossemos para a A21.

Andar com o GPS ligado no carro com o Martim, tem cenas engraçadas. Mal ouve a menina dizer "Saia na saída!", começa logo o Martim: "Ó mãe, sai na saída!" Quando é "Vire à esquerda!", diz logo o Martim. "Ó mãe, vira à esquerda!" O vosso GPS não tem um ajudante como este? Pois não, este é único e só para mim (e para o papá). E mais: este pequeno ajudante já diz quando o semáforo está verde e também indica lugares para estacionar o carro. Ah pois é, que isto não é para todos!

quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009

A vida tal como ela é

Já alguma vez se perguntaram se vale a pena esta vida de mães e de pais de meninos traquinas que parecem apostados em fazer asneiradas só para chatear? Que vida é esta que nos obriga a correr de uma lado para o outro feitos maluquinhos? E a paga muitas vezes é ouvir um mãe má! ou um mãe feia! ou Não gosto de ti! como paga? Nunca tiveram vontade de os pendurar no estendal? Ou dos oferecer à primeira pessoa que vos aparece pela frente? Ou pura e simplesmente deixá-los fazer o que querem para sempre? Eu confesso que sim que já tive esta vontade. E que o que nos faz mães e pais a sério, ou seja minimamente equilibrados, é conseguir controlar este impulso e nunca mas nunca ultrapassar esta barreira.
Acham que a maior parte das pessoas está preparada para isto? Penso que ninguém e para algumas é um verdadeiro balde de água fria. A Sónia conseguiu resumir todas estas dúvidas neste magnífico texto. Alguns comentários também valem a pena. Para ler e reflectir.

terça-feira, 27 de Janeiro de 2009

Aos 37 meses e uns pozinhos

As nossas conversas no carro ao fim da tarde quando o vou buscar à creche são de antologia. Quem diz que esta idade dos 2-3-4 anos é muito engraçada tem toda a razão. É tão giro ver o mundo pelos olhos deles! Aí vão dois exemplos:

Primeiro exemplo. Cenário: num daqueles placards rodoviários avisam que há um acidente a uma distância curta. Solução faço um pequeno desvio no caminho, mal saio na saída (já pareço um GPS a falar...), começa logo o Martim:

- Nós vamos? (Não há maneira de dizer "onde vamos")
- Para casa, filho.
- Não é este o caminho.
- Este é um outro caminho, porque o do costume tem muitos carros.
- Nós vamos?
- Para casa.
- Não é este o caminho
- Este é outro.
- Nós vamos?
- Para casa.
- Vamos para casa?
- Sim filho.
E repete umas 20 vezes a pergunta... Até que voltamos a entrar na estrada do costume mas como havia engarrafamento ficamos parados. Começa o Martim:
- Não vamos para casa?
- Sim vamos mas os carros estão todos à nossa frente.
- Não vamos para casa?
- Sim temos de esperar.
- Não vamos para casa?
Irra! Que o rapaz é insistente. Ao fim de mais 20 vezes de "Não vamos para casa?" não aguentei e disse:
- Se não fosses chato, o que é que tu querias ser?
- Quero ser homem das obras e o D. (colega da creche) também!

Segundo exemplo. Cenário novamente no carro e falavamos que no dia seguinte havia aula de inglês (com as quais anda muito entusiasmado, é o mais novo da sala mas parece que é dos que participa mais). De repente lembra-se de um dos brinquedos que ficou no meu bolso de manhã que é um cowboy.
- Mãe, tens o homem?
- Qual homem?
- O cowbôy
- Não é cowbôy, filho, é cowbóy!
- Não mãe é cowbôy.
- Ó Martim, cowbóy é uma palavra inglesa que significa rapaz, que é boy, das vacas, que é cow. Por isso cowbóy.
- Não, mãe! É cowbôy por causa das vacas!

quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009

Estado deste blogue

Chove. Nada apetece...

Fernando Pessoa
(Citado no Público de hoje)

quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009

E quando lhe perguntaram o que queria ser quando fosse grande

o Martim respondeu sem dúvidas nenhumas:

Homem das obras!

Ai os legos, os legos!

Adenda: É que nem liga muito ao Bob o construtor.

domingo, 11 de Janeiro de 2009

Quase todos os dias ao fim da tarde

quando vou buscar o Martim à creche, ele pede para ir ao supermercado com a esperança de conseguir um chupa, um kinder, etc.
- Nós vamos? ("Onde vamos?" em martinês)
- Para casa, filho.
- Não vamos ao 'mecado?
- Não temos de ir para casa.
- Mas em casa não há papa. (Diz isto com um beicinho muito triste)
- Há papa sim senhor!
- Não há não! Acabouxe ontem. Não há mais papa! Temos de compá papa. (ar de quem morre de fome...)
- Ó Martim temos muita papa em casa.

Quem ouvir esta conversa parece que não lhe dou de comer... Estou tramada com este maroto.

sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009

Se me dão licença, venho para aqui babar-me

Conclusões da consulta dos 3 anos:

- tem 1 m de altura!
- altura proporcional ao peso e acima da média
- desenvolvimento intelectual acima da média para a idade
- está fantástico! (palavras do pediatra)

Baba, muita baba!

quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009

Alguém disse que aos 3 anos deixam de ser bebés

E não é que ao transpor a barreira dos 3 anos, o Martim deixou de acordar entre as 8 e as 9 h e passou a acordar quase às 11h ou mais (se o deixarem dormir, claro) como os miúdos mais crescidos? Tenho de acrescentar que a hora de deitar se mantém a mesma (por volta das 21h15-21h30). E esta, hein?

quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009

No meio da brincadeira o papá T. reclama que o Martim só fala a parte final de palavras com mais de 3 sílabas:

'nimais = animais
'sauros = dinossauros
'mate = tomate
'face = alface
'tina = clementina
'late = chocolate
'velha = ovelha

e por aí fora. O papá reclama e diz "Mas quando é que este tipito (Martim) começa a falar as palavras completas?" E responde o Martim de rajada com um ar muito indignado:
- Eu sabo falar 'tuguês!

terça-feira, 6 de Janeiro de 2009

Chuchinhas

No fim de semana encontramos uns amigos que têm uma menina quatro meses mais velha, a F. A F. apareceu com a sua chuchinha na boca. Eu só pensei: "Que lindo, agora é que o Martim não nos larga enquanto não lhe dermos a chucha..." O T. virou-se para ela e disse: "Ó F. ainda de chucha na boca?" E começam os pais naquele lamento tão conhecido, que ela não larga de maneira nenhuma, anda sempre com ela, etc, etc. "E tu Martim?", perguntaram os nossos amigos. E ele responde logo: "Eu só uso para domi! Sou gande!" E vinha todo orgulhoso porque a F. ainda usa chucha de dia e ele não. Afinal...

segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

Conversas futebolísticas

O pai T., na sua cruzada para tornar o Martim portista, tem andado a dizer-lhe que o Sporting não ganha nada. Quem ganha é o Porto. E por aí adiante. O Martim vai cantando: "Poting! Poting! Poting!" e não diz mais nada. Já andam com esta conversa há algum tempo. Ontem à hora do almoço estavam a dar as notícias do desporto na televisão e dizem que o Sporting tinha ganho ao Setubal. O Martim vira-se para o pai e diz-lhe: "Vês pai o Poting também ganha!" E volta à cantilena "Poting! Poting! Poting!" Mas vendo o olhar triste do pai diz-lhe: "Ó pai também sou do Pôto! Sou dos dois!"

domingo, 4 de Janeiro de 2009

Ainda a chucha

A decisão de tirar a chucha agora foi combinada com a creche que normalmente propõe isto aos pais sempre na época do Natal. Qualquer coisa como o Pai natal levar as chuchas para os meninos que não têm nada. Em Setembro, na última vez que lá fomos, o pediatra também avisou que a chucha não devia ser usada depois dos 3 anos. Juntando a tudo isto está o facto da minha sobrinha que usou chucha até mais tarde ter um ligeiro defeito de fala (espero que ela não me leia...). Eu também larguei a chucha tarde e só depois de me a terem tirado "na marra" como dizem os brasileiros. "O gato da vizinha levou-a!" diziam-me para me consolar e lá me convenci ao fim de alguns dias. E também cheguei a ter um pequenino defeito de fala. Era muito "ssssopinha de masssssinha". A minha sobrinha é mais "xopinha de maxinha". Tudo isto defeitos, que li mais tarde, serem resultado do uso da chucha até tarde. O primeiro resulta de uma má colocação da língua na boca e o segundo de um arqueamento da arcada dentária superior. E como o Martim às vezes me parece demasiado sibilante, não hesitei e juntamente com o papá lançamos a operação "A chucha não passa do Natal ou do Ano Novo".
No Natal o Martim esteve doentito e não lhe impusemos que desse as chuchas ao Pai Natal. No Ano Novo, a ideia era deitar fora as coisas velhas no início do ano, como expliquei aqui.
Mas devido ao insucesso da outra noite, não podiamos deixar o Martim a chorar daquela maneira. Por isso, combinamos que a chucha só é usada para o soninho grande da noite. Fora disso fica guardada longe do alcance das mãozinhas (e da boquinha) do Martim. Vamos ver como corre. So far so good.

sexta-feira, 2 de Janeiro de 2009

E esta noite

A chuchinha ressuscitou do lixo. Quando deitamos o Martim, ele começou a chorar convulsivamente. Perguntavamos porque chorava e ele não dizia nada só chorava. Claro, que eu percebi que era a falta da chucha, mas não disse nada. Mas nada o consolava e ele chorava cada vez mais. Não aguentei mais e perguntei-lhe se era a chucha e ele disse que sim. Lá fui buscar uma ao armário onde as escondi e dei-lha dizendo que era só para a noite. Hoje de manhã quando acordou tirei-lhe logo a chucha. Disse-lhe que era só para dormir e ele pediu-me para ficar com ela, que ele ia pôr a chucha no lixo. Perguntei-lhe"E depois à noite, como é? Vais chorar outra vez?" Baixou os olhos e disse, "Pois!" E deu-me a chucha para a guardar.
Chucha 1 - Martim 0

quinta-feira, 1 de Janeiro de 2009

E o ano velho levou

...as chuchas! Depois de o convencermos que as chuchas estavam velhas e que na noite de Ano Novo se deitam fora as coisas velhas, lá foi pô-las no lixo sozinho. Ainda balbuciou um "Depois compas umas novas, xim?" Mas eu mantive-me firme e disse-lhe que já era crescido. Ele lá disse que sim com a cabeça, mais ou menos convencido. À noite adormeceu logo depois de as pedir uma vez e de lhe termos lembrado que estavam no lixo e dormiu até às 11h. Vamos ver como correm as próximas noites...